Essa é a Primeira Carta que te escrevo, Camilla. Não me cobres perfeição.
Eu tinha desistido de te contar sobre as minhas agonias, sobre a saudade que tu deixas, sobre a lembrança que não me larga. Mas eu me relato tão bem a ti, me sinto mais leve e ultimamente eu venho precisando disso.
Nunca mais te vi por aí, logo a gente que costumava tanto se encontrar agora demos pra desaparecer do caminho um do outro. Como tu vais? Esqueci que tu não me ouves, nem eu te ouço mais. Logo a gente que costumava se distrair ouvindo noites a fio a voz do outro, contando besteiras, planos, vontades.
Eu te conheço bem, pra falar a verdade conhecia. Eu sou o que menos sabe de ti nesses tempos de agora. Por achar que te conheço ou conhecia eu não consigo te esquecer, Camilla. Tudo me remete a ti, tu te escondes nas coisas que eu gosto e traz a falta à tona outra vez quando eu tento desenhar outra estrada, contraria a tua.
Tu já me ouviste chorar? Creio que nunca, quase nunca choro e se choro, choro baixo, só pra mim. Tu nunca decides se vai ou fica e isso de ficar em leva e traz, vai e volta, cansa. Queria ficar alheio a ti, mas não posso e esse “pode ser” que tu deixas suspenso no ar, me mata sempre um pouco.
Afinal, pra quê amar? Disseram-me que gostar é bem mais simples, que é bom as vezes não prender o coração a um só pessoa, respirar liberdade faz bem pro corpo, Camilla. Mas é que eu nunca sigo o que me dizem e continuo nessa de saudade e se tu insistes que eu te esqueça, por hora não posso e se quiser me ensine, porque eu de besta ainda não aprendi.
(Source: pra-nos)
(Source: de-quintal)
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